Gamificação

O portal T&D, da revista brasileira especializada em Desenvolvimento Humano e Educação Corporativa, acaba de publicar um artigo sobre a inovação que os games corporativos trazem para as empresas. O autor Fernando Seacero é sócio-fundador da i9Ação. Leia o artigo  e conte para a gente a sua opinião!

Gamification: trazendo engajamento e inovação às organizações

*Fernando Seacero

De forma divertida e fora do convencional, a gamificação pode ser uma ferramenta eficiente de treinamento ou alinhamento no trabalho que simula os desafios cada vez mais complexos enfrentados pelas organizações. Também conhecido como jogo empresarial, jogo-treinamento, entre inúmeros nomes, é um game para empresas integrar em uma plataforma – física ou online – todas as necessidades de aprendizado para um time que precisa enfrentar desafios.

O diferencial de um processo por meio de jogo é principalmente a agilidade ou aceleração de aprendizagem. Por conta de resultados já comprovados, existem diversas utilizações, finalidades e formatos de gamificação no mercado corporativo como: implementar mudanças, processos de desenvolvimento, aprimoramento da sinergia, entre outros.

De acordo com pesquisa da Gartner Group, até 2015, mais de 50% dos processos de inovação das duas mil maiores organizações do mundo serão gamificados, e ainda, pelo menos 70% das grandes corporações do mundo utilizarão alguma aplicação de jogos em seu negócio.

Apesar de sabermos que jogos são naturalmente envolventes para o ser humano, Jane MacGonigal, PhD e designer de jogos, traz três motivos que fazem com que a opção seja tão cativante: o feedback imediato das ações dos jogadores, os desafios cada vez mais complexos a serem encarados, e o constante aprendizado/superação. Em jogos para o lazer, esses três principais motivadores fazem com que nos EUA, por exemplo, 67% dos adultos entre 20 e 40 anos de idade joguem em média oito horas de vídeo game por semana, sendo que 40% desse número são representados por mulheres.

Hoje em dia, aproximadamente 25% dos colaboradores das organizações pertencem a chamada geração Millenium. Estima-se que aos 21 anos de idade, uma pessoa desta geração tenha se dedicado cerca de 10 mil horas em jogos digitais em consoles ou aplicativos para celulares. Estes jogos trazem em última instância uma experiência significativa, um envolvimento constante e evolutivo do jogador dentro de seus desafios. Os jogadores literalmente sentem-se parte de uma missão maior, de um objetivo coletivo que ultrapassa as barreiras de sua individualidade.

Com a nova geração, um dos grandes desafios das organizações é o engajamento e gestão de colaboradores jovens, bem como o desenvolvimento de um ambiente que promova a inovação constante. A geração Millenium rapidamente assume papéis de liderança e demonstra necessidade de ter experiências significativas e prazerosas, e ao mesmo tempo, desafiadoras. É imprescindível o retorno de resultado de suas ações realizadas em seu ambiente de trabalho.

Frente a estes novos cenários, algumas empresas têm utilizado a arquitetura de pontuações, estratégia de engajamento e modelos de motivação existentes nos games para desenvolverem soluções inovadoras em seus mercados, bem como, para promover o engajamento dos funcionários em desafios propostos.

Um grande exemplo foi um laboratório farmacêutico internacional que tinha como desafio em 2010 desvendar e propor uma estrutura para uma molécula de um composto complexo. Os pesquisadores do laboratório estimaram que a tarefa duraria ao menos dois anos com todos seus esforços focados na solução do problema. Foi quando o laboratório desenvolveu um game com premiações e pontuações por etapas de solução cumpridas e abriu o desafio para toda a comunidade científica profissional e amadora mundialmente. A solução veio após duas semanas e o jogo teve a participação de mais de cinco mil pessoas em todo mundo.

Os jogos são ferramentas que permitem que as pessoas aprendam na prática

Desenvolvimento de competências comportamentais (aprofundamento da comunicação, liderança, trabalho em equipe), rápida fixação de conteúdo (na implementação de novas tecnologias ou treinamento de novos funcionários), solução de desafios de forma colaborativa (jogos internos com algum desafio e prêmios para as melhores soluções), lançamento de produtos para o público (campanha de marketing) e implementação de estratégias (transformar etapas estratégicas em um grande game com estruturas de incentivo) têm sido alguns dos focos mais trabalhados em formato de game nas organizações nacionais e internacionais.

Embora os termos referentes a jogos de aprendizagem em organizações estejam aparecendo cada vez mais, a utilização deles para fins educacionais e para a melhoria da “realidade” não é algo recente. Heródoto, um filosofo grego, já citava uma ação dos governantes da época ao promoverem jogos de dados e tabuleiros entre a população, como uma estratégia para que todos encontrassem meios de vencer um grande período de dificuldades e de fome que atingiu a Grécia antiga nas guerras com a Pérsia.

Os jogos estão ganhando o devido destaque como solução, e têm potencial para solucionar ainda mais necessidades corporativas atuais. As formas de aplicação desta arquitetura ampliam-se ano a ano, e assim é provável que com essa disseminação talvez possamos viver em um futuro próximo de forma mais colaborativa e divertida para vencer os desafios da realidade. E ainda aprender, jogando!

*Fernando Seacero é sócio-fundador da I9Ação, psicólogo com MBA em Recursos Humanos pela USP e trabalha com desenvolvimento de jogos para aprendizagem há 14 anos.

Você já tem experiência com games corporativos? Comente e conte para a gente!

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