You Tube - i9AçãoEspecialistas abordam como os games podem ser usados no desenvolvimento de profissionais e apontam os benefícios da metodologia

Você sabia que dentro das organizações, a gamificação é utilizada como uma solução para aprendizagem, treinamento, desenvolvimento de competências, e até mesmo para alinhar operações e processos? Este foi o tema da entrevista que Fernando Seacero e Felipe Vila, sócios-diretores da i9Ação, participaram para o Canal André Tadeu, da Central Paulista de Produções e Cursos Livres.

Para saber o que eles falaram e também sobre como a gamificação pode ser usada para apoiar a rotina corporativa, você pode ler a entrevista abaixo ou assistir a Parte 1 da gravação aqui! (Clique aqui caso você já tenha lido e queira acessar o vídeo da Parte 2).

Confira, abaixo, a Parte 1 da entrevista:

André Tadeu: Como a gamificação pode ser usada como ferramenta no desenvolvimento das pessoas?

Fernando Seacero: Nós dividimos a gamificação em três grandes eixos de impacto dentro das organizações.

Fernando SeaceroO primeiro deles é o que nós chamamos de learning games, que são jogos focados em aceleração de aprendizagem, aumento da qualidade de aprendizagem e engajamento das pessoas dentro das organizações. Eu estou falando de jogos focados em competências, como liderança, competências comunicativas, além de jogos focados em aprendizagens técnicas.

Nós temos muitos casos de desenvolvimento de jogos indicados para segurança do trabalho em áreas de laminação, seguranças do trabalho em operações de máquinas e em hospitais. Os learning games têm um impacto direto tanto no desenvolvimento de competências, quanto no comportamento, de segurança e habilidades técnicas.

Outro eixo de jogos de gamificação dentro das empresas são os Simuladores, que simulam situações, lugares e espaços, onde as pessoas podem treinar, tendo a possibilidade de errar, voltar e aprender. Um exemplo são os simuladores de atendimento ao cliente. Nós temos desenvolvido muitos simuladores de atendimento digital em formato de games, onde a pessoa simula o atendimento ao cliente, ganha pontuação e consegue se preparar melhor para fazer esse atendimento.

Uma grande tendência da gamificação são os simuladores presenciais, simuladores físicos (como por exemplo para operações de maquinas) que já são usados a muito tempo.

E por fim tem o que a gente chama de gamificação, que é você trazer elemento dos games, como: pontuação, upagem de fases ou personagens que existem em qualquer vídeo-game, para vários tipos de operações ou processos dentro das empresas.

Esses são os três principais eixos dos games dentro das organizações hoje.

A.T.: Quais as necessidades das organizações atendidas com a gamificação?

F.S.: Um exemplo são os games focados em liderança, porque normalmente a cultura da empresa precisa de um trabalho de liderança muito específico. O líder dentro de uma empresa é totalmente diferente de um líder que está inserido dentro de uma outra cultura. Quando a gente desenvolve um game proprietário de liderança para as empresas, tem um grande sucesso, porque ele traz não só a formação da liderança, mas também a formação do líder com a cara da empresa, a cultura da empresa.

A arquitetura, a mecânica e o conteúdo do jogo, são totalmente adaptados para aquilo que a empresa precisa e para aquilo que ela realmente precisa para a liderança.

Felipe Vila: Tem um outro caso que a gente chama de jogos de integração, que é uma maneira de receber as novas pessoas nas
organizações.

Felipe VilaOnde são fornecidas para o colaborador as informações mais importantes sobre a organização, para que ele entre engajado na cultura da empresa.

Muitas integrações hoje estão sendo revistas, utilizando a gamificação para esse propósito.

A.T.: Qual o prazo para a elaboração de um game?

F.V.: Depende do conteúdo e da complexidade que tem que ser desenvolvidos para o game.

Por exemplo, se é um card game, que será distribuído para o Brasil todo, abordando um assunto especifico, é um jogo simples. Mas se é um jogo de oito horas, que envolve todas as competências de liderança, é um material mais aprofundado.

Tem também a questão sobre o formato do game, se é presencial, digital, mobile, entre outros. Mas podemos falar de uma média de tempo de desenvolvimento, que fica na faixa de dois a quatro meses, desde o desenvolvimento até a entrega para o cliente.

A.T.: Qual o investimento para produzir um game sob medida?

F.S.: O investimento da criação de um game acaba sendo muito mais barato do que o investimento em um treinamento tradicional, porque quando a organização tem o game na mão, ela pode ter várias turmas de treinamento conduzidas pela própria empresa.

Nós não só desenvolvemos um produto, mas também capacitamos as empresas para conduzir o game, que é uma forma muita específica de conduzir um treinamento, isso tanto para os games digitais, quanto para os presenciais.

Nós fizemos o aplicativo do CONARH nos últimos dois anos, e quando você tem um aplicativo você não tem a capacitação, pois ele é autoexplicativo, ele tem que ser intuitivo.

F.V.: Outro ponto importante dos games, é a questão da escalabilidade, ou seja, ter a possibilidade de utilizar o game em outras regiões ou situações. Nesse caso, as pessoas envolvidas no processo de criação são capacitadas a multiplicar esse game em sua empresa. Às vezes, é mais fácil para alguém que não é da área técnica entender um game digital do que um jogo de tabuleiro, pois no modelo digital você possui um aplicativo ou uma plataforma que autoexplicativos.

No entanto, os jogos de tabuleiros possuem uma escalabilidade interessante para treinamento, pois as pessoas que são formadas no processo de desenvolvimento nem sempre são pessoas de RH ou de áreas técnicas, dado que o projeto de cocriação capacita espontaneamente pessoas de qualquer área.  

Ainda dentro dos games presenciais, um jogo como um aplicativo pode não depender de um multiplicador, é o caso de jogos mais simples que a gente produz em grande escala e distribui para o Brasil inteiro. Por exemplo, o app pode ter como objetivo ajudar os  gestores alinharem   seus pilares estratégicos com a sua equipe, podendo utilizar  um pequeno jogo que exercita o feedback junto à  equipe de uma maneira mais tranquila.

A.T.: Qual a relação entre gamificação e engajamento?

F.S.: Existem 3 fatores, que são os principais fatores de engajamento dentro das organizações:  liderança inspiradora, comunicação fluida e aprender continuamente.

As novas gerações que estão assumindo os cargos nas empresas estão mais preocupadas em estar sempre aprendendo do que com a remuneração ou outros benefícios dentro de uma empresa.

Em um jogo, você exercita a liderança porque você tem que tomar decisões o tempo todo, um bom jogo não é um jogo de sorte ou azar, é um jogo onde você tem que tomar decisões. No game, você também precisa de muita comunicação –  e o princípio é subir de nível.

Leia também a continuação da entrevista. Clique e leia a Parte 2.

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