Erros e Acertos da Aprendizagem Digital: Bate-Papo com Débora Antonangelo, da CCEE (Leia e assista o Webcast)

Quais os Erros e Acertos da Aprendizagem Digital que os líderes de Recursos Humanos de grandes empresas destacam

Quais os Erros e Acertos da Aprendizagem Digital que os líderes de Recursos Humanos de grandes empresas destacam em suas experiências atuais? A série em vídeos da i9Ação traz o bate-papo rápido com um convidado do mercado com intuito de apresentar decisões que funcionaram (ou não) na hora de capacitar, integrar ou engajar os colaboradores

Em mais um episódio de nossa série Erros e Acertos da Aprendizagem Digital, convidamos para um bate-papo a Consultora Interna de RH da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica). Débora Antonangelo é psicóloga de formação, especialista em Gestão de Pessoas, trabalha na área de RH há 18 anos e está há dois anos na CCEE, atuando próxima das áreas de Negócios. 

Quer saber como está sendo a experiência dela com gamificação e aprendizagem? Leia a íntegra da entrevista!

Entrevista completa:

Depois dessas questões todas da pandemia, você viu se alguma coisa mudou? O que você está vendo em termos de aprendizagem nas organizações hoje em dia?

Hoje a gente está aí no mundo VUCA, a volatividade, a velocidade com que as pessoas precisam aprender e a facilidade que nós temos hoje em relação ao aprendizado, e a adequar tudo isso a nossa realidade atual. Acho que facilitou tudo nos dias atuais. 

Quais são os cuidados que você acha que a gente tem que ter quando está falando sobre aprendizagem digital nessa mudança? Quais são os cuidados que a aprendizagem digital tem que estar atenta?

Quando a gente fala em cuidado, acho que no primeiro momento é garantir que todos tenham acesso a uma plataforma para essa navegabilidade. As pessoas têm que ter por onde acessar, os conteúdos têm que ser direcionados para o público [certo].

Então assim, a gente tem que ser assertivo nas trilhas, elas têm que ser estruturadas, estar integradas com aquela necessidade. Não adianta eu fazer uma trilha genérica: ‘Ah, eu vou fazer uma trilha de aprendizado para a empresa toda’, que não vai rolar, não vai acontecer, não vai ter aderência.

Então, eu preciso ser mais especifico, mais assertivo em qual mensagem, qual o conteúdo que eu quero passar.

Eu também vim de Recursos Humanos, trabalhei muito tempo com isso na Claro, fui por muito tempo da ABRH e do CONARH, mas uma coisa que a gente sempre levantou foi isso: como você faz o link entre aprendizagem, o desenvolvimento e o resultado? Como você vê essa relação?

Hoje, se a gente conseguir melhorar essa questão da gestão do conhecimento e do capital intelectual, gerar esse engajamento, fazer algo mais direcionado… Eu falo que, a partir do momento que eu gero engajamento nos colaboradores e eles conhecerem algum conteúdo que a empresa está transmitindo, eu estou gerando esse engajamento.

São as recompensas intrínsecas, que eu estou direcionando. Então eu estou impulsionando ele para o desenvolvimento dele não só profissional, mas como o [desenvolvimento] pessoal também.

Como a gamificação ajudou no desafio de aprendizagem e colaboração da CCEE?

Quando a gente fala em aprendizagem e colaboração, a gente precisa estar impulsionando esses colaboradores nesse engajamento para que eles possam atingir esses resultados. A gente fala assim: como eu vou fazer isso?

A prova foi esse game que a gente realizou agora em parceria com a i9Ação. Por que? A gente fez a junção de equipes multidisciplinares formadas por talentos aqui da CCEE. Foram pessoas diferentes, de várias áreas, gerando essa construção coletiva de informações, de trilhas, visando um ambiente inovador.

Até então não tínhamos trabalhado juntos, não tínhamos tido nenhum contato, ainda mais eu que entrei na pandemia no ano passado na CCEE. Então a gente precisou gerar esse espírito colaborativo, criar esse vínculo, para que ai sim a gente pudesse transmitir a informação de uma forma diferente e inovadora para dentro da organização.

A gente conseguiu utilizar as fontes, essa equipe, ou as ‘squads‘ como falam na tecnologia, em prol de atingir um resultado: a transmissão do conhecimento. A gente fez um treinamento diferente dos padrões, do formal para a empresa.

Vocês usaram uma estratégia dentro da plataforma de criar uma cooperação e não uma competição, então as pessoas tinham que somar pontos e atingir resultados conjuntamente, até com a brincadeira de Star Wars que vocês utilizaram, mas qual era o objetivo, o que vocês queriam passar para eles de conhecimento?

O nosso foco principal era trabalhar a colaboração. Então nós utilizamos o livro do Patrick Lencioni, “Os 5 desafios das equipes”, onde ele apresenta os cinco pilares. Então, por meio desses cinco pilares nós fizemos uma adequação e transformamos isso em um game. E usamos como codinome aí o “Star Watts”, voltando para a Energia, vinculando à nossa área de Energia. 

Colocamos uma pontuação que eles tinham que atingir, então eles tinham que passar pelos conteúdos, que adequamos para que eles entendessem que era um treinamento que nós estávamos passando, desde Diversidade, Comprometimento, Adaptabilidade e Colaboração, a soma de tudo isso era visando a colaboração.

Então, de uma forma lúdica, nós criamos por trás todo um game com base nesses conceitos, onde eles tinham que se inscrever, passar de fase, tinha uma somatória de pontos, de forma que fomos engajando todos, mostrando qual grupo estava na frente – porque eles não sabiam em qual grupo estavam! Eles estavam competindo com quem, eles não sabiam, porque o jogo é individual! 

Então, a gente fez toda uma somatória e no final que apresentou: o grupo 1 atingiu 20 mil pontos, o grupo 2 fez 40 mil, o grupo 3, 60 mil, poxa ninguém ganhou? Errado! 

Qual foi o feedback e qual era preocupação tiveram para atingir esse resultado? E como foi o feedback dessa experiência?

O feedback foi bom, eu falo que foi positivo. Nós nunca tínhamos usado uma plataforma gamificada, então foi a primeira vez. E a gente pensou na plataforma – porque o treinamento foi para uma área de Tecnologia -, então pensamos em aproximar o conteúdo que precisávamos passar para esses colaboradores de uma forma bem aproximada da tecnologia.

O que chamaria a atenção de uma equipe de tecnologia? Porque já pensou, o RH fazer um treinamento de tecnologia? Eles iam querer matar a gente 😀

Qual foi a aderência dessa experiência?

A aderência foi excelente! Tivemos quase 60% de adesão, e não era obrigatório. Nós fizemos algo diferente, que não foi obrigatório, nós esperávamos, claro, que todos se inscrevessem, mas adesão foi grande. Foi satisfatório por isso, porque não é algo obrigatório e eles gostaram. Se identificaram com o tema, se identificaram com as propostas e foram acelerando para a conclusão.

Como você vê o futuro da aprendizagem digital?

Eu tenho lido um livro, que é de um dos sócios da Apple lançou, o Steve Wozniak, que é sobre aprendizagem, um livro fenomenal que lançaram agora em 2020. E ele fala que essa questão da aprendizagem digital começou com Thomas Edison, e eu fiquei muito surpreso com isso. Porque a primeira pessoa que falou que queria sair da sala de aula e ir para uma coisa diferente foi o Thomas Edison que inventou a cinemateca, a máquina de cinama, e falou que queria transferir a escola para dentro disso, então o primeiro a tentar a fazer a aprendizagem digital fora da sala de aula foi o Thomas Edison. E a gente já está a mais de 100 anos nessa evolução. E para onde você acha que a gente vai com essa aprendizagem digital?

Hoje em dia a gente vincula muito a aprendizagem digital à tecnologia. A gente precisa tirar esse vínculo, porque a aprendizagem digital não só acontece pela adoção tecnológica. Ou cursos, faculdade, livros, a gente precisa entender que essa mudança, esse aprendizado parte de uma mudança de cultura, mudança de mindset, de mentalidade, que existem outras formas de transmissão de conhecimento.

Eu preciso entender como eu posso transmitir o conteúdo de uma diferenciada ao meu publico. E a tecnologia entra aí como uma peça nessa historia de transformação digital, mas ela não é única. Então preciso entender qual o público que quero atingir, qual o método que eu posso atingir, como a gente fez aqui na CCEE, como eu posso fazer para chamar atenção da minha área de tecnologia?

Então o game foi assim, a sacada, algo que chamasse a atenção porque eles gostam do tema, gostam de estar ali ligados, gostam dessa facilidade de que eu posso fazer no celular, no tablet ou no meu computador, e não só ali com livros.

Eu preciso entender isso. O futuro é esse, eu entender o que é esperado do meu público e aí sim, passar a transmitir essas informações.

Eu achei muito interessante o que você comentou, Débora, muita gente quando fala de aprendizagem digital fica o tempo inteiro falando de tecnologia, de api, e como que eu vou, tecnologicamente, resolver isso, né? E, no fundo, a gente continua falando de plataformas que pensam apenas no conteúdo, em como que eu vou entregar alguma coisa, e não como que eu vou gerar interação, ou a troca entre as pessoas. Eu não me preocupo com a aprendizagem e me preocupo demais com a tecnologia e com os recursos que eu posso ter. Eu acho que essa é uma grande reflexão mesmo.

Depoimento da Cliente

O que eu posso falar da minha experiência com a i9: foi excelênte do início ao fim!

Agradeço imensamente todo o suporte que a i9Ação nos deu, as dicas… Até então, eu não tinha realizado nenhum tipo de treinamento desse nível, para uma equipe tão grande, foram quase 300 pessoas que a gente tinha o intuito de atingir.

Foi um aprendizado excelente, de grande valia, e não tem nem como mensurar o quão diferente foi para mim, para a CCEE, essa iniciativa. Só tenho a agradecer a vocês.


Quer conversar sobre gamificação e aprendizagem? Marque um bate-papo com a gente!

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