gamificaçãoCada vez mais imprescindíveis, áreas de RH são foco de grande expectativa por parte das organizações. CONARH 2014 mostra que é preciso fazer a diferença e inovar

Games e profissional do futuro

No âmbito da capacitação e desenvolvimento, o Congresso discute também o papel dos games nas empresas. Junto com Sunami Chun, sócio-diretor da Aennova, Fernando Seacero, sócio-fundador da i9ação, aborda o tema falando sobre o impacto que os games têm no comportamento humano, trazendo maior engajamento e interesse ao gerar inteligência em redes nas organizações. O foco da palestra será trazer os principais aspectos e características que fazem os games engajarem as pessoas em todo o mundo. Ele explica como a gamificação pode ser aplicada nas organizações a partir do redesign de escolas corporativas, arquiteturas de treinamento e de desenvolvimento e processos de remuneração. “Tenho visto diversos cases em que a gamificação proporcionou benefícios e resultados para a organização e para as pessoas”, comenta.

A i9Ação tem atuado em projetos de games como instrumento de desenvolvimento humano há 13 anos no mercado da América do Sul, e com essa experiência, Seacero conta que, inicialmente, os games eram vistos como algo disruptivo nas estratégias de desenvolvimento, mas as empresas que começaram a experimentá-los como ferramenta de desenvolvimento perceberam o diferencial da solução para gerar memória de longo prazo e aceleração de aprendizagem. “Os games são ferramentas que estimulam todas as partes do sistema nervoso central, o neocórtex (foco racional), o cérebro límbico (recursos emocionais) e o cérebro reptiliano (recursos motores). Dessa forma possibilitam que as pessoas lembrem e consigam aplicar o que aprenderam em seu dia a dia”, explica ele.

Comparado com as metodologias tradicionais, Seacero diz que a absorção de conteúdos que um game proporciona em um processo de aprendizagem é três vezes maior que as metodologias tradicionais de treinamento corporativo. Nesse sentido, ele considera que os games são grandes ferramentas para o desfio que as organizações enfrentam: de necessidade, de velocidade, de aprendizagem, bem como de maior engajamento e inovação de seus funcionários.

“Vejo que as empresas estão cada vez mais utilizando os games e a gamificação para seus processos de desenvolvimento humano. Segundo o Gartiner Group, até 2015, 50% dos processos de inovação serão gamificados e 70% das 2.000 maiores corporações do mundo usarão ao menos uma aplicação de jogos em seu negócio. O desafio de implementação, no meu ponto de vista, é ainda o investimento inicial em novas tecnologias nas organizações. Esse é um processo que, ao meu ver, tem um ‘ponto de mutação’ quando um grande número de empresas começa a utilizar determinada tecnologia e todas passam a buscar essa solução. Mas as barreiras são cada vez menores”, afirma.

Mas para desenvolver a melhor capacitação, é preciso antes entender os desafios e o que se espera do novo profissional. Falando sobre esse perfil que contempla liderança, autonomia e responsabilidade, João Cordeiro, sócio-fundador da consultoria que leva o seu nome, diz que há necessidade de esse novo perfil profissional incorporar a accountability, virtude indispensável para um líder que tem pela frente o grande desafio de contribuir com a performance de sua organização. Accountability é uma palavra que não tem tradução exata para a língua portuguesa, mas que significa pegar para si a responsabilidade e gerar respostas com resultados. “Accountability não é uma virtude importante apenas para os líderes, mas também para todo cidadão que vive em um país como o nosso, em um ano eleitoral, que exigirá das pessoas uma noção de responsabilidade mais ampla que a que costumamos ter”, explica.

Para Cordeiro, empresas que desejam crescer, expandir-se ou que enfrentam um mercado muito competitivo estão preocupadas em elevar a sua performance, e para isso procuram profissionais específicos que já passaram por companhias reconhecidas por ter uma cultura de alta performance.

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GamificaçãoPor Ricardo Rodrigues – Revista Melhor – Gestão de Pessoas

Empresas de diferentes setores evidenciam que os games são cada vez benvindos e eficazes para treinar, imprimir a cultura organizacional e motivar a equipe

Engajar os funcionários diariamente para tornar uma empresa a gigante do setor não é mais um sonho distante. Os profissionais de RH percebem que isso e possível graças ao uso dos games no ambiente corporativo, que permite o aprendizado com situações reais, custos menores e ainda transformar o verbo “trabalhar” mais prazeroso ao colaborador. Essas foram algumas das constatações apresentadas no painel Os games na empresa – Um novo olhar para Capacitação e desenvolvimento, durante o primeiro dia do CONARH 2014.

Segundo o sócio-fundador da i9Acao, Fernando Seacero, o fenômeno da ‘gameficação’ tem transformado o processo de negócios em uma tarefa menos árida, e traz a diversão ao ambiente de trabalho – e com resultados. “Hoje, 20% dos adultos ao redor do mundo gastam mais de 20 horas semanais com games. Portanto, nada melhor do que engajarmos pessoas a solucionar problemas e criar produtos por meio dos jogos”, ressalta ele. Seacero destaca alguns pontos positivos dos games corporativos, tais como o trabalho em equipe, possibilitar feedbacks mais rápidos dos líderes e estimular o uso da memória de longo prazo, já que o profissional aplica, rapidamente, na prática o que acabou de aprender.

games para engajarA eficácia da utilização dos jogos no ambiente empresarial já tem alguns números interessantes mundo afora, conforme lembra o sócio-diretor da Aennova, Sunami Chum. Durante o painel, ele relatou o caso de um laboratório que, com o uso de um game de colaboração mundial, solucionou em duas semanas a pesquisa de uma nova molécula, que o laboratório sozinho demoraria cinco anos para concluir. A indústria de games corporativos se mostra uma mina de ouro, que faturou mundialmente US$ 412 milhões, em 2012, e com estimativas de lucrar US$ 5,5 bilhões, em 2018.

Mas nem é preciso ir tão longe para perceber que os games são sim benvindos na cultura corporativa, seja qual for a área em questão. A gestora de RH da Rede D’Or São Luiz, Daniela Lombardi, foi buscar nos jogos a forma mais dinâmica de integrar os colaboradores e transmitir a eles os valores da maior rede de hospitais privados do Brasil. “O segredo foi trazer ao jogo a parceria que deve existir entre todas as áreas no dia a dia da empresa, desde a limpeza ate à alta gestão”, recorda Daniela. O jogo, implantado pela rede em 2012, tem como nome Acolher é o nosso negócio, e já foi vivenciado por quase 20 mil colaboradores que ingressaram na empresa nesses dois anos. E tudo isso sempre mantendo funcionários motivados, um turnover baixo e a satisfação de seus clientes.

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