A qualidade do trabalho de qualquer profissional está diretamente relacionada à sua capacidade de se equilibrar. Isso quer dizer simplesmente que, quanto mais estressado, piores os resultados. Esse ciclo deve ser quebrado, sobretudo com as férias, mas cuidado com a qualidade desse período.
De acordo com o especialista em administração de tempo e produtividade, Christian Barbosa, os profissionais precisam de um tempo longe do trabalho para evitar diversos problemas, tanto de saúde, como gripes, gastrite e dores de cabeça, quanto profissionais, como esquecimentos e erros.
O mais importante das férias, porém, não é sua duração, mas sim a qualidade dela, ligada ao quanto o profissional realmente consegue se desligar do serviço e das responsabilidades. Planejar esse período requer certos cuidados, para efetivamente se desligar. Confira as dicas:
Descentralize – muitos gestores não conseguem sair de férias porque tudo está centralizado neles. A forma como fazer as atividades é algo personalizado e está apenas na mente do gestor.
Para solucionar esse problema, é preciso transformar as pequenas dúvidas ou procedimentos do dia a dia em processos documentados e devidamente publicados, por exemplo, na intranet da empresa.
Crie sucessores – Barbosa explica que o papel do gestor é muito mais estratégico do que operacional, ou seja, ele deve focar em inovação, em sugestões e em problemas diferentes. Nesse sentido, ele precisa buscar desenvolver membros da equipe, tanto para poder focar nas prioridades, quanto para conseguir tirar férias sossegadas.
“É necessário investir em pessoas, em treinamento, em conhecimento para priorizar as coisas”, diz Barbosa. O especialista explica que os profissionais precisam ter pessoas-chave com as quais podem contar, ou seja, que possam tocar o negócio mesmo sem a presença do gestor. Se você tem pessoas que seguram o dia a dia do trabalho, você poderá ter férias muito mais tranquilas.
Planeje as férias – nada adianta ter tudo encaminhado no trabalho se nas férias você só se aborrece e tem decepções. Para aproveitar o período da melhor maneira possível, é preciso se planejar.
Lembre-se de que tirar férias em períodos em que todo mundo tira, como julho, dezembro ou janeiro, nem sempre agrada. Além disso, observe seu negócio e a sua área. Prefira tirar férias em momentos em que não haja tanta demanda de trabalho, caso trabalhe com algo sazonal.
Celular e e-mail? – mesmo que você seja viciado em tecnologia, prefira desligar o celular e checar os e-mail em períodos espaçados de tempo.
“Férias ou períodos mais curtos de descanso são essenciais para ajudar vocês e a empresa a crescer. Além disso, você traz ideias novas, arejadas e disposição para colocá-las em prática”, finaliza Barbosa.
A afirmação não é à toa. Em abril deste ano, os 704 executivos globais que participaram do “The Conference Board CEO Challenge”, um dos principais fóruns de discussão de executivos do mundo, confirmaram que o desenvolvimento do capital humano está entre as principais preocupações de suas administrações. Esse dado reforça a necessidade das empresas em repensar a forma de gerir seus talentos e, principalmente, se diferenciar da concorrência.
Destacar-se na multidão é uma parte importante para o sucesso estratégico do RH e, por extensão, da empresa. Sustentar este objetivo compreende múltiplas frentes; em essência, é necessário que o resultado final passe pelo entendimento das pessoas daquilo que é implementado, pela aderência aos propósitos da organização e, o mais difícil: ser um programa realmente único.
A criação de uma estratégia de gestão de talentos, direcionada a ações de atração, desenvolvimento e retenção, é essencial para atender este desafio. Ela se pauta pela análise de proposição de valor do empregado – e busca consolidar quais são os atributos percebidos por cada um como “pacote de valor”: uma somatória de expectativas em relação à recompensa e reconhecimento, oportunidades de desenvolvimento, desafios de trabalho, cultura e organização, ambiente de trabalho e relacionamentos. Com a compreensão do que a empresa oferece versus o esperado por seus funcionários, a área de recursos humanos terá subsídios para elaborar uma estratégia de gestão de talentos diferenciada.
Esta análise permite ainda fortalecer a cultura existente com ações direcionadas a novas contratações, impulsionar as ações de desenvolvimento e sucessão, melhorar processos de comunicação relacionados às mudanças organizacionais e engajar os líderes quanto à necessidade de participação em programas e ações.
Estabelecer o objetivo da análise de proposição de valor do empregado e quais são os resultados esperados é o primeiro passo para construção desse trabalho. Em seguida, definem-se os critérios, as necessidades das diferentes forças de trabalho, para determinar um método para busca e consolidação dos dados – seja por entrevistas, workshops ou pesquisas -, que serão aplicados e analisados. Com toda a base de dados à disposição, inicia-se a elaboração da estratégia de gestão de talentos e volta-se ao primeiro passo, como um ciclo de elaboração, aplicação, análise e revisão.
Em resumo, ao voltar sua atenção ao indivíduo, o RH tem a oportunidade de atender às necessidades de toda a empresa. Se por um lado os talentos entenderão o valor dos programas propostos, por outro estarão aptos a quebrar moldes e apontar novas direções de negócios. Em um país em constante mutação e que avança constantemente para um momento de alta performance, isso faz toda a diferença.
Fonte: revistavocerh.abril.com.br